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SANTO INÁCIO DE LOIOLA

 

Iñigo Lòpez de Oñaz y Loyola nasceu em 1491  no Castelo de Loyola, perto da cidade de Azpeitia, na Biscaia, em Espanha. Cresceu numa família católica, sendo o mais novo de 13 irmãos, filho de Beltrán  Ibañez  de Oñaz e Loyola e Marina Sánchez de Licona, tinha 5 irmãs e 6 irmãos.  A mãe morreu quando ele tinha 6 anos e o pai quando tinha 16 anos. A sua infância foi de menino da nobreza. Aos 16 anos foi completar a sua educação em Arévalo, como pagem do tesoureiro real Juan Velázquez  de  Cuéllar a quem acompanha à corte, levando uma vida mundana, buscando prestígio, honra e fama. De modo especial admirava D. Catarina de Áustria, irmã mais nova do Imperador Carlos V e futura Rainha de Portugal.      

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Aos 27 anos, por morte do fidalgo Juan, ficou ao serviço do Duque de Nájera, vice rei de Navarra, e começa a aventura de audaz cavaleiro.

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Defendeu com algumas centenas de soldados Pamplona, capital de Navarra, atacada pelos franceses, rejeitando a rendição. Vê a morte muito perto e o seu coração de cristão pensa em Deus, reza e faz confissão da sua vida a um companheiro de armas. Em 20 de Maio de 1521 foi gravemente ferido, uma bala de canhão estilhaçou a sua perna direita e ficou também muito mal da esquerda. Só então a cidade se rendeu.

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Os franceses vitoriosos trataram-no com grande atenção, reconhecendo a sua valentia e duas semanas mais tarde levaram-no ao seu Castelo de Loyola, onde haveria mais facilidades de tratamento do que numa praça de guerra.

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Como a perna ficara mais curta a seu pedido foi realizada uma nova operação, o que o levou à porta da morte. Pediu a Santa Unção pois queria estar pronto para se apresentar diante de Deus.  Inácio tinha particular devoção a S. Pedro, rezou-lhe com devoção e começou a melhorar precisamente na Vigília da Festa a 28 de Junho. 

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Para se entreter pediu romances de cavalaria, mas como não os havia no Castelo de Loyola, por isso, para passar o tempo leu a Vida de Cristo do cartuxo Ludolfo de Saxónia e algumas vidas de santos entusiasmando-se com a de S. Francisco e S. Domingos.

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Foi nesse tempo que foi percebendo a "desolação" e a "consolação" como critérios de discernimento para conhecer a vontade de Deus, experiência fundamental que foi anotando num caderno. Inácio sem o saber estava a fazer os Exercícios Espirituais, que foi desenvolvendo ao longo da sua vida, para melhor ajudar os outros.

Uma noite ajoelhando-se diante duma imagem de Nossa Senhora tomou a resolução de se entregar todo e para sempre ao serviço de Deus. Passados dias apareceu-lhe Nossa Senhora com o Menino ao colo e sentiu o seu coração purificado de qualquer afecto menos puro. Na sua vida como peregrino e na sua busca do que podia fazer por Deus, acolhe-se à protecção da Virgem Maria, pedindo-Lhe que o leve por bom caminho.

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Pelos fins de Fevereiro de 1522, dez meses depois do acidente de Pamplona, estava restabelecido, embora manco. Agora, após a sua conversão interior queria levar uma vida nova. Por isso quando deixa o solar de Loyola começa por se dirigir ao Santuário de Aránzazu para lá orar com muita devoção a Nossa Senhora das Vascongadas.

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Parte depois para Montserrate em Março de 1522. 

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Pelo caminho encontra um mouro que duvidava da virgindade de Maria, discutiu com ele. Quis persegui-lo, mas soltando as rédeas, a mula desviou-se por outro caminho.

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Ao longo da viagem fazia diariamente muito tempo de oração e penitencia, fez voto de perpétua castidade, oferecendo-o a Deus por intermédio da Virgem Maria. Após três dias de preparação fez uma confissão geral de toda a sua vida no Mosteiro beneditino de Montserrate, onde doou a mula.

Ao cair da tarde da vigília da Anunciação, em 24 de Março de 1522, deu a um mendigo os seus vestidos ricos de cavaleiro e vestiu-se de pobre peregrino, arranjou um bordão e uma cabaça.

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Passou a noite diante do altar da Virgem Negra de Montserrate, fazendo a sua velada de armas como cavaleiro de Deus e entregou o punhal e a espada como oferta votiva a Nossa Senhora.

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Passou toda a noite em oração, oferecendo o seu ser, o seu coração, o seu trabalho e o seu projecto de servir só e sempre o Senhor de todas as coisas, Jesus Cristo Rei Universal, pensando no "SIM" de Maria no dia da Anunciação.

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Na manhã seguinte dirige-se a pé para Manresa, onde se aloja no Hospital de Santa Luzia, como pobre mendigo, vivendo de esmolas, ele que fora um grande fidalgo... agora quer imitar e seguir a Jesus pobre...

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Em Manresa fez grandes penitencias, ia para uma gruta, no silêncio, fazia cerca de sete horas de oração de joelhos. Foi um tempo de grandes tentações e de dúvidas interiores, chegou a pensar no suicídio. Mas ao mesmo tempo foi uma ocasião de grandes graças. Confessava-se todas as semanas, participava na Eucaristia todos os dias, lia a Paixão de Cristo com muito gosto. Teve várias vezes a visão de Jesus e de Maria e profundas experiências espirituais sobre os mistérios da Santíssima Trindade, da Criação e da Encarnação de Cristo. Um dia nas margens do rio Cardonner teve uma grande iluminação interior, conhecimento dos mistérios de Deus, superior a todos os dons, graças  e revelações do resto da vida. A partir daí tudo lhe pareceu novo, daí querer buscar e encontrar, através da oração, Deus em todas as coisas.

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Nesta estada em Manresa, sob a protecção de Nossa Senhora começa a escrever o livro dos "EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS",  onde nos deixou as ideias fundamentais das suas horas místicas nas margens do Cardonner. Agora se vive pobre, já não é por penitencia, mas porque Jesus viveu assim. Começa a ajudar os outros, a cuidar dos doentes e necessitados, porque Jesus curava, pregava...

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Deixou Manresa em 18 de Fevereiro de 1523 com ideia de peregrinar à Terra Santa. Começou por se dirigir a Barcelona, e aí pediu ao capitão de uma nau que o levasse de graça até Itália.  Pediu esmola para comprar as provisões para a viagem e deixou as moedas que lhe sobraram numa pedra do cais para quem precisasse. A 29 de Março de 1523, Domingo de Ramos, chega a Roma, onde dois dias depois obtém do Papa Adriano VI licença para peregrinar à Terra de Jesus. Logo em Abril põe-se a caminho de Veneza onde conseguiu lugar grátis num navio mercante que iniciou a viagem em 14 de Julho.

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A 1 de Setembro desembarcou em Jaffa. A 4 de Setembro chegou a Jerusalém. Com grande emoção visitou os lugares santos, onde rezou, viu e tocou os locais santificados pelo seu Senhor e Salvador.

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Teve de deixar a Terra Santa, ele que sonhara ficar ali o resto da vida. Veio-lhe um grande desejo de voltar ao Monte das Oliveiras, queria ver de novo a pedra donde Jesus subiu ao Céu.

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No longo e acidentado regresso a Itália teve tempo de perguntar-se a si mesmo: Que vou fazer agora? Que deseja Deus que eu faça? Descobriu que Jerusalém é todo o mundo, Jesus vive em todo o mundo e todo o mundo necessita da luz de Jesus...

Em Janeiro de 1524 estava de novo em Veneza, e convenceu-se que se queria trabalhar por Deus devia dedicar um longo tempo aos estudos. Por isso, em Fevereiro foi para Barcelona. Já com 33 anos senta-se no meio das crianças da escola a estudar, dedicando-se também ao serviço do próximo. Aí começou a ter o desejo de juntar algumas pessoas para em sua companhia se porem ao serviço divino. Esteve lá dois anos e foram duas mulheres, Isabel Roser e Inês Pascual que  proveram ao seu sustento e moradia. Acabados os estudos em Barcelona em 1526, foi estudar para a Universidade de Alcalá, onde ficou cerca de ano e meio. Aí, trabalha com os pobres, ensina a doutrina cristã e dedica-se a orientar Exercícios Espirituais e por isso teve três processos com os Tribunais da Inquisição e chega a estar preso quarenta dias.

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Como alguns companheiros se juntavam a ele e vestiam do mesmo modo, ao serem proibidos de assim vestirem, respondeu: "O nosso hábito é apenas uma túnica própria da nossa pobreza, mas se não convém que sejam iguais, vamos tingi-las de cores diferentes."

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Proibiram-no de ensinar doutrina e orientar Exercícios Espirituais, o que lhe causava muito sofrimento, pois queria ajudar as almas. 

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Por conselho do Bispo de Toledo em Julho de 1527 vai continuar os estudos em Salamanca, onde logo foi acusado de ensinar doutrina e por isso foi encarcerado vinte dias num compartimento onde havia muita sujeira, mas alegra-se por sofrer por amor de Jesus Cristo. Vendo os juizes que nada ensinava contra a fé, resolveram pô-lo em liberdade, mas proibindo-o de ensinar. Então decidiu ir para Paris, onde chega a 2 de Fevereiro de 1528 e onde passou sete anos.

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Como não tinha recursos para financiar os estudos na Sorbona mendigava, mas isso fazia-lhe perder o precioso tempo de estudo. Graças a donativos de pessoas amigas e a umas colectas que fazia nas férias, na Holanda e  na Inglaterra conseguiu custear as despesas e até ajudar outros colegas.

Em Paris arranjou novos amigos, partilhava o quarto com Pedro Fabro e Francisco Xavier. A este que aspirava ter grande fama como professor da Sorbona, muitas vezes lhe disse: "De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?"

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Pedro é o primeiro a fazer os Exercícios de mês, depois fazem os outros, passam a ter o mesmo desejo de seguir como ele uma vida radicalmente apostólica e o seu ideal era pregar em pobreza e humildade, vivendo como os apóstolos o maior serviço de Deus e do próximo. Eram amigos no Senhor e querem estar perto de Jesus, daí a ideia de irem a Jerusalém. Pedro é o primeiro a ser ordenado sacerdote em 30 de Maio de 1534, grande decisão que tomou após os Exercícios para melhor servir a Deus e aos homens.

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No dia 15 de Agosto de 1534, Festa da Assunção de Maria, o pequeno grupo de amigos, Inácio de Loyola, Nicolau Bobadilha, Pedro Fabro, Diogo Lainez, Simão Rodrigues, Afonso Salméron e Francisco Xavier reuniram-se na Capela dos Mártires em Montmarte e na Eucaristia celebrada por Pedro Fabro, único sacerdote do grupo, antes da Comunhão e diante da Sagrada Hóstia, fizeram os votos de pobreza, de castidade e de peregrinação à Terra Santa. Se depois de um ano não pudessem ir, pôr-se-iam à disposição do Papa para que os enviasse para onde julgasse mais conveniente. O grupo torna-se cada vez mais unido pelo mesmo ideal.

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A saúde de Inácio não estava boa e por conselho dos médicos e dos amigos determinou-se em Abril de 1535 a passar uma temporada na sua terra natal. Aí fica três meses. 

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Embora contrariando o seu irmão Martim que queria que ele ficasse no solar de Loyola, prefere viver pobre, de esmolas que mendigava de porta em porta. 

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Pede alojamento no Hospital, atende os marginalizados, prostitutas, empestados, mendigos, menores abandonados, ajuda os necessitados, ensina o catecismo às crianças e às pessoas incultas, estabelece a paz nas famílias, orienta Exercícios Espirituais, dedica-se à conversão pessoal de cada um. Aproveita para visitar as famílias dos seus companheiros e tratar de vários assuntos. 

Depois pôs-se novamente a caminho de Itália, voltou para Veneza, onde ficou um pouco mais de um ano à espera dos amigos, como tinham combinado, para irem à Terra Santa. Foi dando Exercícios. Entretanto o grupo ia crescendo, agora com Pascácio Broet, João Codure e Cláudio Jayo.

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Os companheiros  de Inácio saíram de Paris em Novembro de 1536, apesar das dificuldades do frio, da chuva, do comer, iam falando de Deus a todos que encontravam.

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Em 8 de Janeiro reuniram-se todos em Veneza, mas como o navio para a Terra Santa só iria a meio do ano, Inácio resolveu provar os seus doutores  que acabavam de chegar de Paris com brilhantes títulos universitários e decidiu que se instalassem nos Hospitais para se ocuparem dos doentes, dos leprosos, das vitimas da peste, dos agonizantes, dos pobres, e ensinarem a doutrina ao povo simples.

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Passados dois meses manda-os a Roma, onde em 3 de Abril na audiência com o Papa Paulo III, recebem a benção, a licença para irem em peregrinação à Terra Santa, a autorização para a Ordenação Sacerdotal e ainda um bom donativo. Foram ordenados em Veneza em 24 de Junho de 1537. Por causa da guerra com os turcos foram suspensas as viagens para lá. Apesar de tudo o grupo não pôs de parte definitivamente o seu plano. Se no prazo de um ano não pudessem fazer a viagem, então como tinham prometido em Montmarte pôr-se-iam à disposição do Papa. 

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Antes de se separarem combinaram que quando  lhes perguntassem quem eram, responderiam "Companheiros de Jesus", tinham sempre os olhos fixos em Jesus e queriam sempre conhecê-lo melhor para mais O amarem e melhor O servirem, servindo  o próximo, a fim de tornarem visível o amor de Deus aos homens.

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Entretanto Inácio, Pedro, Lainez são chamados a Roma, os outros espalham-se por cidades universitárias do norte, onde o seu apostolado poderia ter maior influência. 

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A caminho de Roma, já perto, Inácio teve uma experiência espiritual muito profunda, quando entrou numa capela chamada La Storta. Aí sentiu que Deus lhe dizia " Em Roma vos serei propício". Compreendeu que Deus não queria que fossem a Jerusalém, mas que O servissem em Roma. 

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Inácio, depois de ordenado sacerdote, decidira permanecer um ano inteiro sem celebrar a Eucaristia, preparando-se e pedindo a Nossa Senhora que o quisesse "pôr com Seu Filho". Estando em oração na capela de La Storta sentiu claramente que Deus Pai o punha com seu Filho. Foi a visão de La Storta em 15 de Novembro de 1537. Inácio disse que lhe parecia ver Cristo com a cruz às costas, e junto dEle o Eterno Pai que lhe dizia: "Quero que tomes este por meu servidor". E assim Jesus o tomava e dizia: "Quero que tu nos sirvas"

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Entraram em Roma, onde Inácio ficaria até à morte. Passaram por várias perseguições e sofrimentos. Desvaneceram-se todas as esperanças da ida a Jerusalém. Então Inácio que tinha alimentado a ideia de celebrar a primeira Missa em Belém, celebrou-a na noite de Natal de 1538 na Basílica de Santa Maria Maior no altar de Presépio. Entretanto como tinham combinado, o grupo foi oferecer-se ao Papa Paulo III, que aceitou esta oferta com muita alegria e lhes confiou várias tarefas pastorais.

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Pregavam, ouviam confissões, davam catequese, e dedicavam-se a grandes obras de caridade, tanto mais que surgiu uma grande fome em Roma. Inácio e os companheiros cuidavam e albergavam centenas de necessitados. Não faltava, é claro a orientação de Exercícios Espirituais.

O Papa confia-lhes novas Missões, isso suscita uma questão, deveriam dissolver a sua comunidade ou permanecer unidos fundando uma Ordem? De Março a Junho de 1539 reunia-se o grupo cada noite para fazer oração e ponderar os assuntos diante de Deus. Decidiram fundar uma Ordem, a Companhia de Jesus. Esta célebre deliberação foi selada com uma cerimónia solene em 15 de Abril onde após a Eucaristia assinam um documento em que se comprometem a entrar na Companhia, caso o Papa confirme a sua fundação.

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Inácio resumiu todas as outras deliberações no que foi a primeira Fórmula do Instituto e entregou ao Papa Paulo III em 3 de Setembro de 1539, que logo aprovou oralmente. Mas só a 27 de Setembro de 1540 veio a bula " Regimini militantis Ecclesiae" de Paulo III com a confirmação por escrito aprovando a fundação da Companhia de Jesus, com ordem de escolherem um geral e redigir Constituições.

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A 2 de Abril de 1541 teve lugar a eleição do Geral, que seria eleito para toda a vida, conforme unanimemente decidiram. 

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Rezaram durante três dias e no dia 5 todos escolheram Inácio. Este tinha escrito na sua cédula que elegia aquele a quem fosse dado maioria de votos, exceptuando ele próprio. 

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Em 13 de Abril voltaram a repetir a votação e o resultado foi o mesmo. Então Inácio retirou-se para o convento de San Pietro Montorio e aí o seu confessor aconselha-o a aceitar pois o resultado das duas votações mostra a vontade de Deus. Numa reunião em 19 de Abril Inácio aceita o cargo de primeiro Superior Geral. 

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Três dias depois em 22 de Abril Inácio e os companheiros presentes na Basílica de S. Paulo extra muros fazem a profissão solene, a expressão da união mais estreita à Ordem. Na Eucaristia celebrada por Inácio, antes da Comunhão pronunciam a fórmula solene da entrega das suas vidas, fórmula que tinha sido aprovada pelo Papa. Os companheiros espalhados pelo mundo em missões, farão a sua profissão noutras ocasiões e lugares.

O desejo da maior glória de Deus, do bem mais universal, da salvação das almas leva-o a uma intensa actividade. Apesar dos numerosos trabalhos com a Companhia e os seus membros em Missões por vários lugares do mundo, Inácio continuou a dar Exercícios, escreveu milhares de cartas, deu catequese, pregou, fundou várias obras sociais e caritativas. Ao mesmo tempo ia trabalhando nas Constituições, com dez partes, junto com o Exame Geral. A aprovação por parte da Companhia foi já depois da sua morte, na 1ª Congregação Geral em 1558.

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Dedicava muito tempo à oração. Tudo centrava na Eucaristia, na sua preparação diária, nas longas acções de graças e na presença junto a Jesus Eucaristia. Mesmo fora deste tempo destinado à oração, procurava encontrar Deus em todas as coisas, nas conversas, ao tratar de negócios, a caminhar nas ruas, nas criaturas, em tudo. Procurava a união com Deus em todas as ocasiões, ser contemplativo na acção. Em tudo amar e servir.

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Em 31 de Julho de 1548, pelo breve "Pastoralis officii", o Papa Paulo III aprovou o livro dos Exercícios Espirituais, depois de ter visto os frutos obtidos em diversos lugares.

Submeteu à aprovação do Papa uma nova redacção da Fórmula que foi aprovada em 21 de Julho de 1550 pelo Papa Júlio III, mediante a bula "Exposcit debitum" que até hoje não sofreu nenhuma alteração, permanecendo como a magna carta da Companhia de Jesus.

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A saúde de Inácio muito frágil, devido talvez a muitas penitencias e grandes jejuns nos primeiros tempos, ia-se debilitando sobretudo por um problema de vesícula. E foi disso que morreu na manhã de 31 de Julho de 1556, com 65 anos. Nessa noite ainda lhe ouviram rezar baixinho: "Ó meu Deus". Quando começou a correr por Roma a notícia da sua morte o povo exclamava unanime: " Morreu o Santo". Nessa altura já havia mais de 1000 companheiros de Jesus, 100 casas e 12 províncias, sendo a primeira a província portuguesa. A 1 de Agosto o seu corpo foi sepultado na Igreja de Santa Maria della Strada e em 1587 trasladado para a Igreja do Gesú.

Foi beatificado pelo Papa Paulo V em 1609 e canonizado a 12 de Março de 1622 pelo Papa Gregório XV, juntamente com Francisco Xavier.

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Tomai, Senhor, e recebei

Toda a minha liberdade, a minha memória,

o meu entendimento

e toda a minha vontade.

Tudo o que tenho e tudo o que possuo

Vós mo destes.

A Vós, Senhor, o restituo.

Tudo é vosso,

disponde de tudo segundo a vossa inteira vontade.

Dai-me o vosso amor e a vossa graça,

 que isso me basta.

( Santo Inácio de Loiola, EE.234 )

 

 

   Bibliografia consultada, livros publicados pela Editorial A. O.

     "Aventuras de um Santo - Vida de Inácio de Loiola"                                          

      Angel Antonio Pérez Gómez e Miguel Berzosa Martinez  

 

     "Em tudo Amar e Servir - Vida de Santo Inácio de Loiola"                        

       Dário Pedroso, S.J.  

 

     "Inácio de Loyola - Fundador da Companhia de Jesus"                                    

      Cândido de Dalmases, S.J.

 

     "Inácio de Loyola - Álbum"                                                                               

      Karl Rahner, Paul Imhof e Helmuth Nils Loose